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No Dia Internacional da Mulher, mais uma de nós foi assassinada por um homem

Hoje eu queria que fosse um dia de celebração. Um dia para honrar nossa existência, nossa luta e nossas conquistas. Mas como celebrar quando, todos os dias, mulheres são privadas até do direito de existir? Gostaria que, ao menos hoje, nenhuma mulher fosse violentada, silenciada ou morta. Que, por um instante, pudéssemos respirar sem medo. Mas a realidade insiste em nos lembrar que ser mulher, muitas vezes, parece uma sentença de morte.

Não é exagero, não é metáfora. É um fato. Lutamos para existir, para viver com dignidade, para não sermos apenas mais um número nas estatísticas do feminicídio.

Hoje, eu não tinha planejado escrever sobre feminicídio. Depois de uma semana exaustiva tentando manter viva esta plataforma que é o Eufêmea, queria, ao menos por um dia, um respiro. Mas ser mulher, pelo visto, não nos dá esse direito.

Abro meu WhatsApp e lá está: uma nota da Polícia Civil. Mais um nome, mais uma vida arrancada. No Dia Internacional da Mulher, perdemos Luzia dos Santos de Araújo, assassinada a facadas pelo namorado, Jonas Gomes Feitosa, que agora está foragido.

É simbólico e cruel. Penso que não deveríamos ter que lutar o tempo todo, sabe? Porque lutar também cansa. Será que, pelo menos por um dia, não poderíamos simplesmente existir, sem medo, sem violência, sem precisar provar nada para ninguém? Apenas viver, apenas celebrar?

Mas a verdade é que não nos deixam. Nos lembram, de forma brutal, que nossa luta não pode parar. E isso é desumano. No Eufêmea, queremos contar histórias boas, enaltecer mulheres que fazem a diferença, denunciar o que está errado e ajudar quem precisa. Mas, todos os dias, nos deparamos com casos de violência. Todos os dias, mulheres são silenciadas de forma brutal.

No Dia Internacional da Mulher, essa realidade se impõe mais uma vez. Hoje, Luzia dos Santos de Araújo deveria estar aqui. Mas não está.

Enquanto uma de nós continuar morrendo, significa que a luta não acabou. Ainda temos um longo caminho a percorrer – um caminho doloroso, desafiador, mas necessário.

E para seguir, precisamos de vozes. Vozes que denunciem, que exijam justiça, que não se calem. Porque o silêncio nunca nos protegeu.

Foto de Raíssa França

Raíssa França

Cofundadora do Eufêmea, Jornalista formada pela UNIT Alagoas e pós-graduanda em Direitos Humanos, Gênero e Sexualidade. Em 2023, venceu o Troféu Mulher Imprensa na categoria Nordeste e o prêmio Sebrae Mulher de Negócios em Alagoas.